Sindicato dos Policiais Federais no Estado de Minas Gerais
Av. Raja Gabaglia, 1000 - Sl 201
Cep: 30441-070
Belo Horizonte - MG
(31) 3292.3297
 

16/11/2017

Tributo e lamento ao Policial Federal

Visualizações: 114

 

Por Josias Fernandes Alves

 

No Dia do Policial Federal, instituído em 2004 por decreto presidencial e comemorado em 16 de novembro, sentimentos antagônicos o assola. Certamente, o mesmo drama que aflige a maioria dos profissionais da segurança pública em nosso País.

 

De um lado, o orgulho e a sensação de dever cumprido, pelo reconhecimento do trabalho da Polícia Federal pela sociedade brasileira, como mostram as últimas pesquisas de opinião pública.

 

Modéstia à parte, a dedicação e coragem no enfrentamento de quadrilhas armadas de traficantes, contrabandistas e assaltantes, nas fronteiras e regiões inóspitas ou morros das grandes metrópoles, tornam o policial federal merecedor da homenagem. Também por sua ousadia e determinação nas investigações de organizações de criminosos do colarinho branco e corruptos de alta linhagem.

 

Por outro lado, é abatido pelo desânimo ao perceber que a lei não é igual para todos e que a cadeia não foi feita para ricos. Que o seu trabalho, muitas vezes, é em vão, porque alguns sábios passaram a invocar a justiça em nome da impunidade dos poderosos. E que o uso seletivo das algemas tornou-se regra para os que se julgam acima da lei.

 

De um lado, policiais federais que tombaram no cumprimento do dever – como Klaus, Lobo, Matsunaga, Moura, Simões e tantos outros – são reverenciados na galeria de heróis, ainda que para órfãos e viúvas tais honrarias façam pouco sentido.

 

De outro, o policial federal clama por melhores condições de trabalho, por uma carreira profissional, por critérios transparentes nas remoções, viagens e cursos, pelo fim dos privilégios e pela avaliação com critérios fundados no mérito, competência e comprometimento profissionais.

 

Na linha de frente contra o crime, o policial federal também luta contra a burocracia, o carreirismo, os privilégios, o assédio moral, a arrogância e o autoritarismo daqueles que pretendem administrar com métodos arcaicos, de tempos que já se foram.

 

Para não virar apenas mais um tira de papel, entre as tantas pilhas de crimes prescritos, o cidadão policial federal ousa pensar diferente, propor, criticar e sonhar com um modelo de investigação mais eficiente e produtivo, menos personalizado e centrado na figura de poucos, em detrimento do reconhecimento do trabalho em equipe.

 

Neste dia festivo, o policial federal agradece as deferências, mas também lamenta. Porque tem plena consciência na sua capacidade e dever de contribuir mais para maior segurança e melhor prestação de serviço ao povo brasileiro. Porque esta é a sua razão de ser.

 

 

Josias Fernandes Alves é agente da PF, formado em Jornalismo e Direito, diretor do Sindicato dos Policiais Federais no Estado de Minas Gerais e membro do Conselho Jurídico da Federação Nacional dos Policiais Federais.
 

(Divulgado em 15/11/2011)

 

 

 


Nome
Cidade
E-mail (não será divulgado)
Mensagem
Caracteres restantes:
Digite o código abaixo
  • Joae Joaquim Rego Bayma - Lagoa Santa/MG

    PARABENS Josias. Muito oportuno suas sabias palavras.
    Somos contemporaneos. Acompanhei seus PDs.
    Atualmente sou Diretor para Assuntos de Aposentados da ANSEF/BH (Não muito atuante).

    16/11/2017

 
 
 
Wall03