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29/09/2017

Sofrimento e suicídio: a palavra como alternativa ao ato

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No mês de prevenção ao suicídio, o SINPEF/MG encerra a Campanha Setembro Amarelo, com um texto que aborda esse tema delicado e preocupante. O material destaca a importância de buscar a ajuda de um profissional e os sinais de alerta que o indivíduo apresenta sobre uma possível tentativa de suicídio.

 

O artigo foi elaborado pelas psicólogas parceiras do SINPEF/MG, Heloisa Moreira e Ticiana Villela.

 

 

Ao teorizar sobre a constituição do aparelho psíquico, Freud se interrogou sobre as forças que moviam o humano e, após algumas construções, chegou à hipótese de que somos habitados por duas correntes contrárias que travam uma luta interna; ele as chamou de pulsão de vida e pulsão de morte. Esse conflito subjetivo nos acompanha durante toda nossa existência, manifestando-se de forma silenciosa e “administrável” ou de maneira violenta e fatal, podendo fazer coincidir seu fim com o fim do próprio sujeito.

 

Segundo esse autor, a vida caminha para a morte; mas, ainda que esse seja o destino inexorável de todos e ainda que tenhamos uma parte de morte em nós, a decisão de antecipá-la por meio de um ato constitui um enigma.

 

Nas últimas décadas, o número de suicídios vem aumentando, o que denuncia uma vertente social desse ato, para além dos aspectos subjetivos particulares que o motivam. Cabe perguntar por que uma sociedade que prega o imperativo da felicidade produz uma legião de deprimidos e assiste a tantas mortes provocadas.

 

Atualmente, a sociedade de consumo bombardeia o sujeito com a ideia de que o acesso excessivo e irrestrito aos objetos é a garantia do pleno prazer, desautorizando qualquer modo de sofrer e pregando que é possível viver sem dor. Sem lugar e sem sentido, o sofrimento, que não é acolhido, retorna sobre o indivíduo que não sabe o que fazer com ele.

 

Tomadas por uma angústia e um sofrimento insuportáveis, algumas pessoas veem no suicídio a única forma de alívio dessa dor. Trata-se, assim, da tentativa de pôr fim ao sofrimento e não de um desejo de morte. Nessa tentativa, normalmente, o sujeito dá sinais de que não está bem; mostra-se deprimido, abatido, procura o isolamento e chega até mesmo a dizer de suas intenções de se matar.

 

Escutar e acolher essas manifestações pode fazer a diferença na vida desta pessoa. A rede familiar, os amigos e os colegas de trabalho, por serem aqueles que estão mais próximos, devem estar atentos e considerar seriamente os sintomas mencionados, procurando dar suporte à pessoa que sofre, mantendo-a enlaçada à vida. Se “cão que ladra não morde”, nesse caso, anunciar o ato pode significar um pedido de ajuda ou uma despedida de quem está realmente disposto a fazê-lo.

 

A oferta da palavra é uma alternativa para tratar as dores do existir. Um espaço em que o sujeito possa falar de suas questões, sem que seja feito qualquer juízo de valor, e tenha, no encontro com o profissional, seu sofrimento reconhecido.

 

O tratamento consiste em colocar a angústia em palavras ao invés de passar ao ato suicida. Um saber sobre si mesmo, novos laços sociais e um outro modo de se posicionar na vida podem ser algumas consequências desse encontro. Não se pretende acabar com esse mal-estar que é estrutural, mas sim possibilitar ao sujeito que opere com ele de forma criativa, na construção de alternativas singulares. É pela via da palavra que o insuportável da angústia pode ser tocado, permitindo àquele que fala escolher viver.

 

 

Ticiana Dias Villela                                                     Heloisa Helena Silva Moreira

       Psicóloga                                                                               Psicóloga

(31) 98781 1680                                                                    (31) 99971 4106

 

 


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