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05/03/2018

Prisões e apreensões batem recorde nas fronteiras brasileiras

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Com o aumento da fiscalização nas fronteiras terrestres do Brasil, o número de prisões e apreensões ao longo dos seus 17 mil quilômetros registrou recordes em 2017. Um total de 38.339 prisões foram realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), 6.603 a mais do que no ano anterior — a maioria por tráfico de drogas e contrabando. Mais de 2 mil armas de grosso calibre também foram apreendidas em 2017, volume 25% maior que em 2016. Os principais destino dessas armas e drogas são as facções que atuam no Rio de Janeiro e em São Paulo, revelam investigações policiais locais. Os itens são redistribuídos para as demais regiões do país.

 

O aumento no volume de armas e drogas atravessando as fronteiras têm sido acompanhado pelo fluxo de mercadorias contrabandeadas. As apreensões desse tipo de produto, realizadas pela Receita Federal, praticamente dobraram nos últimos sete anos. Em 2017, a instituição registrou R$ 2,3 bilhões no valor dos itens apreendidos, quase duas vezes o total de R$ 1,27 bilhão relativo a 2010 — a cifra inclui apreensões nos postos de fronteiras terrestres, além de aeroportos e portos.

 

Embora ainda haja vastos trechos de divisas desprotegidos, as instituições responsáveis por sua fiscalização têm realizado reforços para reduzir a vulnerabilidade. A Receita Federal criou, no primeiro semestre de 2017, a Coordenação-Geral de Combate ao Contrabando e Descaminho (Corep), que realizou, até o final do ano passado, 3.181 operações de vigilância e repressão, nas quais aplicou multas de R$ 281 milhões. O montante foi 223,5 % superior ao de 2016, quando as penalidades chegaram a R$ 86,8 milhões. Os produtos com maior aumento nas apreensões foram medicamentos (381,47%), calçados (340,02%), videogames (174,00%) e mídias não gravadas (123,48%). Ao todo, 221 milhões de maços de cigarro contrabandeados foram apreendidos, o que representou acréscimo de 11,16% em relação a 2016.

 

O Rio, destinatário de parte dos materiais traficados, vive uma intervenção federal no setor de Segurança, e autoridades de outros estados já manifestaram preocupação diante de possíveis mudanças nas rotas do crime. Na sexta-feira passada, o Rio registrou apreensão recorde de cocaína: policiais encontraram em contêineres da região portuária quase 1,5 tonelada da droga, avaliada em R$ 250 milhões.

 

Com efetivo de 30 mil nas fronteiras, o Exército diz ter intensificado o Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF) desde o início do ano passado. Só a Operação Ágata 12, parte da série de ações das Forças Armadas que desde 2011 tentam reprimir o tráfico nas divisas, terminou com 95 prisões e com a apreensão de 17 mil toneladas de drogas e 66 armas.

 

A PRF afirmou que realiza operações específicas nas divisas, com destaque para a Operação Égide, uma ação que durou 250 dias, prendeu cerca de 12 mil pessoas e encontrou 182 toneladas de maconha, 4,3 de cocaína e crack, 868 armas de fogo e 147.383 munições. A operação foi realizada nas rodovias que cruzam o país até a Bolívia, o Paraguai e a Argentina.

 

O GLOBO teve acesso a investigações e relatórios da Polícia Federal e da PRF que detalham o funcionamento do tráfico internacional de armas e munições para o Brasil. Em geral, as armas de fogo têm como origem o Paraguai, a Bolívia, a Argentina e o Uruguai. A maioria dos traficantes é de brasileiros que, apoiados por paraguaios, cruzam a fronteira em carros, caminhões, ônibus e também em pequenos barcos.

 

Pelo menos 95% das armas de fogo adentraram o território nacional pelo Paraná ou pelo Mato Grosso do Sul, tendo como destino São Paulo e Rio de Janeiro. Os demais 5% são transportados em aviões de pequeno porte provenientes da Bolívia ou do Paraguai para o interior de São Paulo e Minas Gerais.

 

Criminosos montam bases no Paraguai

 

O armamento abastece dois perfis de grupos criminosos. A maior demanda vem das facções que dominam o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Outras destinatárias do tráfico internacional de armas são as quadrilhas dedicadas a crimes violentos, como o roubo a bancos, a caixas eletrônicos e a veículos de transporte de carga e de valores. Esses bandos financiam a entrada no Brasil de verdadeiros arsenais de guerra: metralhadoras de calibres .30 e .50, fuzis, submetralhadoras e pistolas 9mm, .40 e .45. O alto poder de fogo torna-se necessário para garantir superioridade em caso de confronto.

 

A Polícia Federal já identificou grupos criminosos de São Paulo e Rio que instalaram bases no Paraguai, a fim de receber drogas de Bolívia, Peru e Colômbia, além de gerenciarem o tráfico de armas do país vizinho diretamente.

 

Apesar dos esforços dos policiais, dos militares e da Receita, ao longo dos 17 mil quilômetros da divisa do Brasil com seus dez vizinhos, existem os chamados “trechos porosos”, por onde entra de tudo: de cigarro a carregamentos de cocaína, de perfumes falsificados a fuzis.

 

— São regiões extensas onde não há qualquer fiscalização. Há várias maneiras de transpor a fronteira. Há lagos, rios e a própria dissimulação em veículos que passam pelo posto oficial e não são detectados — afirma Luís Antônio Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, a Fenapef.

 

Atualmente, cerca de 1,5 mil policiais federais atuam nas regiões de fronteira, menos de 50% do efetivo de 3 mil homens reivindicado pela categoria. Em ofício encaminhado ao então diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, no dia 2 de fevereiro de 2017, a Fenapef alertava que “é crescente a demanda de grupos de criminosos organizados que se prevalecem da fragilidade da fronteira para atuar no tráfico de drogas e armas ilícitas no Brasil”.

 

Ontem, o “Fantástico”, da TV Globo, revelou que aumentou em 275% o total de armas apreendidas nas rodovias federais que cortam o Rio (BR-101, BR-040 e Presidente Dutra): foram recolhidas 62 armas no primeiro semestre de 2017, contra 233 armas no seis meses seguintes.

 

Frederik Barbieri estava no radar da polícia desde os anos 90

 

Muito antes de ser preso, o traficante de armas Frederik Barbieri já era monitorado pela polícia fluminense, segundo reportagem exibida ontem no “Fantástico”. Ele entrou no radar de agentes da Civil no fim dos anos 90, quando passou a ser visto ao lado de Marcelo da Silva Burck, vulgo Marcelo da Gata, preso em 2002 e considerado à época o maior traficante de armas do Rio. De 2008 a 2015, Barbieri fez 34 viagens entre Brasil e Estados Unidos, onde mora desde o início dos anos 2000. Mas quando desembarcou em Miami na primeira vez, chegou a limpar piscinas para ganhar dinheiro. A informação é curiosa porque, quase duas décadas depois, ele se tornaria conhecido no mundo todo por enviar armas para o Brasil dentro de aquecedores de piscinas, como os 60 fuzis apreendidos ano passado pela Polícia Civil no aeroporto internacional Rio Galeão.

 

Frederik Barbieri. Empresário nos EUA – Reprodução

 

O caminho de Barbieri até se tornar o maior traficante de armas do país começou fornecendo material de guerra para o Complexo do Alemão — parte do arsenal encontrado em 2010, quando as forças de segurança ocuparam o conjunto de favelas, teria sido vendido por ele. Quando se mudou para os Estados Unidos, obteve cidadania ao casar com a cubana Margarita Pena Rios. Foi um casamento de fachada, pelo qual ele pagou US$ 20 mil dólares. O traficante nunca morou com a mulher, e o divórcio foi assinado dois anos após a cerimônia.

 

Antes da separação, ele fundou sua primeira empresa de comércio exterior, FKBAR, usada nas maracutaias. No início, enviava armas em contêineres transportados por navios, até uma remessa ser apreendida em 2009 no porto de Salvador. Foi aí que Barbieri mudou sua forma de trabalhar: passou a enviar fuzis pelo Galeão, e assim se tornou o “senhor das armas”.

 

A Justiça brasileira pediu à americana a extradição do criminoso. Mas a Justiça dos Estados Unidos estipulou fiança de US$ 1,5 milhão para que ele responda em liberdade — contanto que consiga comprovar que o dinheiro tem origem lícita.

 

 

Fonte: O Globo


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