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16/10/2017

Polícia Federal vai compartilhar o uso de veículos aéreos

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Sem fazer alarde, dirigentes da Polícia Federal estão negociando com o Comando da Aeronáutica o uso compartilhado dos dois vants (veículos aéreos não tripulados) comprados dentro do mais ambicioso programa de fiscalização de fronteiras e combate ao crime organizado da instituição. As tratativas estão em estágio avançado, embora as duas partes não tenham fixado uma data-limite para a conclusão do acordo.

 

Policiais e militares começaram a conversar sobre o uso compartilhado dos vants da PF há alguns meses. No último dia 14, uma comissão de militares chegou a fazer uma visita à base de São Miguel do Iguaçu (PR) para checar as condições das aeronaves e dos demais equipamentos necessários ao seu funcionamento. Depois da inspeção, surgiram rumores de que a polícia faria uma doação à Força Aérea Brasileira (FAB ) e, com isso, abandonaria de vez o projeto, considerado polêmico desde que foi lançado, em 2008, na gestão do ex-diretor da PF Luiz Fernando Corrêa.

 

Num ofício encaminhado ao Tribunal de Contas da União, o Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal pediu que o TCU interfira e impeça a “doação”. Os equipamentos fariam parte do patrimônio da polícia e, por isso, não poderia ser cedidos aos militares. Na quarta-feira, procurada pelo GLOBO, a direção da Polícia Federal confirmou as negociações com a Aeronáutica, mas negou, de forma enfática, que haverá doação de equipamentos. Segundo a PF, trata-se de um acordo operacional entre a polícia e a FAB.

 

“Encontra-se em processo de desenvolvimento um acordo operacional entre Polícia Federal e as Forças Armadas do Brasil, que visa a operação conjunta de todos os VANTs sob o comando de um Centro de Operação Conjunta, visando a otimização na utilização e custeio da ferramenta”, diz o texto.

 

Segundo a PF, os vants “não serão doados às Forças Armadas”. A polícia argumenta ainda que a parceria com os militares dará maior liberdade operacional das aeronaves, “uma vez que a contará com maior disponibilidade de pilotos e operadores especializados, além de maior liberdade de utilização do espaço aéreo para realização das missões”.

 

Uma autoridade da área militar tem uma versão diferente para as tratativas em curso. Segundo esta fonte, eles seriam transferidos para a FAB operar. A instituição ficaria encarregada da guarda e da manutenção dos equipamentos. A partir daí, se quisesse usar os equipamentos em alguma operação específica a polícia teria que bancar os custos. Os pilotos também seriam da Aeronáutica, e não da polícia.

 

A compra e uso de vants pela PF é considerado tema sensível. O assunto já foi alvo de intensa polêmica entre a polícia e a FAB e, também, dentro da própria polícia. As aeronaves são equipamentos de guerra e até serem adquiridos pela PF nunca tinha sido testados como instrumento de polícia. Pela proposta inicial de Corrêa, o governo brasileiro iria comprar 14 vants da empresa israelense IAI ao custo total de US$ 1,5 bilhão. Os custos englobariam quatro bases operacionais, parte da manutenção e o treinamento dos pilotos.

 

Mas, com falta de dinheiro e de resultados práticos, o Ministério da Justiça decidiu reduzir o projeto aos dois primeiros equipamentos adquiridos. Os vants chegaram até a ser usados em voos noturnos em favelas do Rio durante a Copa de 2014. Desde então, devido aos altos custos e a divergências policiais, a proposta acabou sendo relegada a segundo plano. Os dois equipamentos já comprados custaram R$ 150 milhões aos cofres públicos e não decolam desde fevereiro do ano passado.

 

 

Fonte: O Globo


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