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17/01/2018

Descaso com a fronteira

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As dificuldades em aumentar a segurança na região de fronteira não são de hoje. São de alguns anos atrás, ou décadas mesmo. Quem se interessa pelo tema percebe que  o discurso de reforçar a atuação das forças de segurança nas fronteiras brasileiras em Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia é algo permanente. A prática, porém, é inexistente, salvo raras exceções.

 

Pouquíssimas ações importantes foram implementadas nas últimas décadas, a ponto de ser possível contá-las nos dedos. Outras muitas, estas incontáveis, foram prometidas. É o caso do Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron), projeto bilionário executado pelo Exército Brasileiro, que sofre contínuos atrasos, a ponto de ser incerta sua implantação efetiva.

 

Ainda há um outro sem-número de ações malsucedidas e planos não concluídos ou iniciados. A estruturação da Delegacia de Polícia Federal em Ponta Porã, por exemplo, não passa de um sonho para os integrantes desta instituição. Boa parte dos policiais federais acredita que com uma grande delegacia na cidade fronteiriça com o Paraguai, o governo federal reforçaria na unidade. Ao que tudo indica, não terão nem uma das duas alternativas concretizadas.

 

O que dizer sobre os scanners? Aparelhos que conseguem detectar o transporte de drogas escondidas em carros, caminhões, ônibus, entre outros veículos. Foram testados uma vez pela Receita Federal há quatro anos. Nunca mais foram vistos. Certa vez a Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso do Sul revelou contar com um destes equipamentos. Usou algumas vezes, e há dois anos - quando sua existência foi lembrada pela última vez - a informação era de que estavam encaixotados. Não é de se duvidar que assim permaneçam, em uma instituição de baixíssimo efetivo, que não tem contingente suficiente para fazer a segurança de nossas rodovias.

 

Em artigo publicado ontem na imprensa nacional, o governador Reinaldo Azambuja - que está de férias - parece ter se dado conta do abandono a que foi submetido pela União. Este descaso, porém, não é novidade para o leitor do Correio do Estado. Há vários anos que temos cobrado o correto funcionamento dos aparelhos de scanner, o aumento de efetivo das forças federais e a conclusão do interminável Sisfron.

 

Este esquecimento da União com Mato Grosso do Sul, porém, não impede que alguns poucos e bons policiais continuem combatendo os crimes de fronteira, como tráfico de drogas e contrabandos de armas, cigarros e agrotóxicos. Recentemente, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), apreendeu comboio de 10 caminhões abarrotados de cigarros paraguaios.

 

A maioria destes itens que circula ilegalmente pelo território sul-mato-grossense tem outras unidades da federação como destino. O grande problema é que os muitos que são presos em flagrante com estas mercadorias ficam em nossas penitenciárias, e geram despesas ao Estado. Passou da hora de a segurança na fronteira ser levada a sério.

 

Fonte: Correio do Estado


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