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22/05/2017

A rotina dos cães policiais federais

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A Polícia Federal (PF) conta hoje com 27 cães em preparação, 14 cães prontos para detecção de explosivos e 36 para detecção de drogas.  O canil de Brasília é o “Canil Escola”. Nesse espaço, todos os cães são usados para o trabalho e, só depois de prontos, são enviados aos outros estados. Há 12 canis em todo país.

 

 

Os cães da PF atuam em operações de barreira e fiscalização, em rodoviárias, portos, aeroportos, fronteiras, embarcações, além de serem utilizados em apoio às atividades de outros órgãos quando solicitado.

 

Os Policiais Federais que trabalham no treinamento de cães usados nas operações policiais afirmam que, constantemente, ouvem de parte da sociedade comentários como: “coitadinho dele”, “olha lá os cachorros drogados” ou “nossa, que peninha deles”. Algumas ONGs de proteção animal já chegaram a protestar por acharem que os cães são usados apenas como uma ferramenta de trabalho e exploração.

 

Para esclarecer a rotina de um cão federal, a Agência Fenapef entrevistou o Policial Federal Marcelo Azem, lotado na Divisão de Canil Central da Polícia Federal (Dican). Ele é o responsável pela seleção e preparação dos filhotes da PF desde o nascimento até a sua preparação final, quando são considerados prontos para o trabalho policial. Azem é um dos 22 Guias de Cães Farejadores de Drogas em atividade no Brasil.

 

 

 

Entrevista

 

1) Agência Fenapef (AF): Como é feito treinamento desses cães?  

Marcelo Azem (MA) – Primeiramente, é importante esclarecer que, o treinamento dos cães é feito por um adestrador profissional e ou policial capacitados. O treinamento dos filhotes é iniciado depois dos 45 dias de vida, quando começamos a estimular alguns de seus instintos. Nessa fase introduzimos um paninho e eles brincam em matilha, todos juntos. Não interferimos, apenas damos vida ao pano para que eles sejam estimulados.  Depois dos 60 dias começamos a fazer o treinamento individual. Eles são separados em box pois, se ficarem juntos, aquele que é mais dominante pode interferir no desenvolvimento dos demais. Por isso, os separamos e focamos o trabalho em cada um, o que acontece até um ano e meio ou dois anos, quando os deixamos prontos para começarem o curso o curso com a introdução de odores. Após os cães treinados, é realizada uma segunda etapa: o treinamento do policial que vai atuar em dupla com o seu cão.

 

2) AF – Como é feito o treinamento de cães farejadores de drogas ou explosivos?

MA –  Começamos essa introdução quando o cão está com aproximadamente oito meses, sempre com a supervisão de um instrutor para impedir alguma situação que traga algum dano ao animal. A introdução do odor nada mais é do que a continuação da brincadeira. É introduzido mais um odor para ele como o da cocaína, maconha ou êxtase, que ele vai associar com o brinquedo dele. Nós preparamos dois tipos de cães: um para detecção de drogas e outro para explosivos, para atuarem na varredura de bombas quando solicitado. O cão detector de drogas não trabalha com detecção de explosivos e vice-versa.

 

3) AF – Existem raças especificas? Por quê?

MA – O canil em Brasília começou com quatro raças: o Labrador, o Espringer, o Pastor Alemão e o Pastor Belga Malinois. Hoje trabalhamos apenas com o Pastor Alemão e o Pastor Belga Malinois por serem raças mais resistentes ao clima de todos os estados brasileiros.

 

4) AF – O que é necessário para que o Policial Federal faça parte do canil?

MA – Os policias que se candidatam à trabalhar ao canil fazem um curso de Cinofilia, onde são avaliadas algumas características, principalmente a paciência, pois é a que o agente mais precisa ter para trabalhar com os cães. Costumamos falar que é necessário ter paciência, paciência e paciência, porque o trabalho com os cães é desgastante, repetitivo e demanda muita atenção por parte do policial. Ele tem que ser extremamente dedicado porque o cão dependerá totalmente dele. Se eu perceber que o candidato não tem essas características de paciência e dedicação, ele não poderá fazer parte do canil, pois, se não tiver cuidado e carinho, o cão pode adoecer, ficar estressado ou entrar em depressão.

 

5) AF – Como são os cuidados com os cães no canil da Polícia Federal?

MA – Nós temos uma clínica veterinária que presta serviço para o nosso canil. Assim, eles recebem todo o tratamento necessário desde o nascimento até a sua aposentação. Na clínica, são aplicadas vacinas, vermifugação, remédios anti pragas (carrapatos, pulgas e mosquitos portador da leishmaniose), realizados controle de peso, alimentação adequada e toda higienização.

 

6) AF – Os cães conseguem distinguir o momento de lazer do momento de trabalho?

MA – Acreditamos que todos os momentos são de lazer pois, mesmo quando estão em serviço, eles entendem como brincadeira. Dentro do canil eles têm exercícios como natação, brincadeiras em matilha, entre outras. Já no trabalho, os cães geralmente estão em área externa e diferente do habitat natural deles.

 

7) AF  – Como é a convivência do policial com o seu cão?

MA – A convivência do policial com o cão é de extrema importância. A medida que o Policial Federal vai trabalhando, vai conhecendo melhor o seu animal. Chamamos essa relação de binômio – homem/cão.  Durante o trabalho o cão pode perceber algo anormal e mudar o seu comportamento, que só será percebido pelo policial que já tem convivência com ele. Temos um caso de flagrantes no aeroporto de Brasília, onde o cão estava deitado perto de uma perfumaria, quando ele simplesmente levantou e começou a andar. O policial federal, por conhecer o seu cão, o acompanhou por ter percebido que o cão detectou algo suspeito. O cão foi até um passageiro que estava com uma quantidade de drogas em sua bagagem. Esse momento foi  registrado por filmagens do aeroporto. Ou seja, o policial conhece até a intensidade do faro do seu animal e sabe quando ele está farejando diversas situações.

 

8) AF  – A sociedade tem uma visão equivocada sobre o trabalho policial com os cães. O que você tem a dizer para desmistificar essa ideia?

MA – Nossos cães são todos muito bem cuidados.  Desde o nascimento, seus extintos são treinamos e estimulados com a introdução de brinquedos. É sempre uma brincadeira. Nunca deixamos o cão chegar à exaustão, nunca vamos até o limite dele, tentamos sempre fazer de uma forma prazerosa para o animal. Nos preocupamos com sua saúde dos cães. Tudo que é feito com ele até a fase adulta é por meio de brinquedos e brincadeiras. O que para gente é um trabalho para ele é só mais uma brincadeira.  Nós temos a preocupação de, além da recompensa por meio dos brinquedos, oferecer o contato físico por meio de carinho. Damos muita importância a esse contato tanto que quando o cão encontra algum tipo de droga, ele volta até nós para receber o carinho e o seu brinquedo. E é através disso que é feito o nosso trabalho.  É recompensador para o cão e para os policiais ver a alegria do cão ao saber que fez um bom trabalho. Se não tiver essa recompensa, o cão acaba ficando desestimulado.

 

9) AF  –  Alguma pessoas acreditam que o cão tem contato direto com a droga em seus treinamentos olfativos. Explique um pouco sobre isso.

MA –  A sociedade às vezes tem o conceito de que os cães são drogados. É até uma loucura esse tipo de pensamento, pois não teria como ficarmos introduzindo cocaína, maconha, craque, êxtase para um cão desses. Com certeza ele iria morrer ou ter a saúde comprometida. O nosso cão não tem acesso e nem consome drogas. O contato é apenas com uma essência, com odor da droga ou do explosivo, que é colocada dentro dos brinquedos dos cães.  O cão tem mais de 200 milhões de células olfativas, por isso, não existe a necessidade de um contato direto com a droga para que ele faça esse tipo de associação.

 

10) AF  – Com quantos anos o cão policial se aposenta?

MA – Pela instrução normativa da Polícia Federal, a partir dos sete anos o cão já pode se aposentar mas, para isso, são feitas avaliações físicas e técnicas para saber se ele está em condições de continuar trabalhando no canil.

 

11) AF  –  O que é feito com o animal aposentado?

MA – Quando o cão se aposenta é dada prioridade ao policial cuidador de adotá-lo para que receba todo amor, carinho, cuidado e atenção até o fim da sua vida. Essa prioridade deve-se ao vínculo que é estabelecido entre o policial federal e o cão durante todos os anos de trabalho da dupla.

 

12) AF  –  Além dos trabalhos com drogas e explosivos, os cães realizam algum outro tipo de atividade? 

MA –  O canil da PF faz o trabalho de socialização de crianças por meio de visitas e palestras em escolas. A receptividade das crianças com os cães é sempre extraordinária. Esse trabalho de socialização do cão com as pessoas é de extrema importância, uma vez que o cão faz o trabalho de farejar humanos também, principalmente os passageiros em portos, aeroportos e rodoviárias.  É uma forma de conscientização realizada junto ao grupo antidrogas da Polícia Federal, o Gepred, onde fazemos demonstração do trabalho do cão sendo muito gratificante para todo o grupo.

 

 

Fonte: Agência Fenapef


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